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Comitiva do PEAC apresenta pesquisas em Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos

  • 10-08-2026
Assessoria de Comunicação

Pesquisadores do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) participaram do XXI Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos (ENG), realizado entre os dias 19 e 24 de junho, em Salvador (BA). Com o tema "Geografia, Democracia e Lutas Sociais: Outro Brasil é possível!", o encontro reuniu pesquisadores, estudantes, movimentos sociais e comunidades tradicionais de todo o país para discutir os principais desafios contemporâneos da Geografia brasileira.

Com participação nos Espaços de Socialização de Coletivos e apresentação de trabalhos acadêmicos, a Comitiva do PEAC compartilhou pesquisas sobre os conflitos territoriais e as realidades de povos e comunidades tradicionais de Sergipe e norte da Bahia. Ao todo, sete pesquisas foram apresentadas, reforçando a produção científica aliada às comunidades costeiras e o fortalecimento da educação ambiental crítica. 

Um dos destaques da participação do PEAC foi o espaço de socialização intitulado "Geografias e questão energética", com participação do pesquisador do PEAC Dr. Guilherme Whitacker, do Coordenador Geral do PEAC, Prof. Dr. Eraldo Ramos Filho, do Coordenador do projeto Conselho Gestor, Prof. Dr. André Luís e da liderança quilombola Maria Izaltina Silva, do quilombo Brejão dos Negros e da Rede Marangatu. O espaço promoveu debate sobre os conflitos oriundos da expansão de projetos energéticos e seus impactos nos territórios tradicionais.

Outro importante momento foi o espaço de socialização intitulado "Conhecimento tradicional, lutas por território e ciência engajada", coordenado por pesquisadores do PEAC, lideranças do Fórum de Comunidades e Povos Tradicionais (FCPT/SE) e integrantes da Rede Marangatu. Além da presença de Eraldo Ramos e Maria Izaltina, o espaço contou com a participação das lideranças Josineide Cruz (Pov. Ouricuri), Cristiane Vieira (Pov. Muculanduba), Wellington Quilombola (Quilombo Porto D’Areia), Alexandre Marques (Quilombo da Mussuca), Laísa Emanuele Moura de Jesus e Ester Arielli dos Santos Silva.


Membros do PEAC e lideranças comunitárias participam de espaços de discussões no ENG | Em pé, da esquerda para direita, terceira pessoa: Welligton Quilombola. Ao lado: Eraldo Ramos Filho, Cristiane Dias, Josineide Cruz, Maria Izaltina, Jussara Rego, Augusto Cruz e Mariana Lima | Foto: divulgação

Pesquisas científicas

Durante a semana de evento, também foram apresentados trabalhos que discutiram os diferentes conflitos socioterritoriais vivenciados por comunidades tradicionais. Entre eles, destacou-se a pesquisa "Organização social dos Povos e Comunidades Tradicionais em Sergipe frente ao ordenamento territorial do Estado-Capital", de autoria dos pesquisadores do projeto Compartilhar, Augusto Cruz, Bruno Bastos, Yule Neves e Eraldo Ramos Filho. A pesquisa analisou as formas de organização política dos povos tradicionais diante das transformações impostas pelo avanço de grandes projetos sobre seus territórios.

Também integraram a programação científica, os trabalhos "Do Território aos Territórios de Vida: reflexões sobre a disputa socioterritorial no âmbito do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras na Bacia Petrolífera de Sergipe-Alagoas", de Fillipe Marques, André Luís, Beatriz Moreira e Danuza Farias, pesquisadores do projeto Conselho Gestor. A pesquisa discutiu a construção da categoria "Territórios de Vida" a partir das experiências desenvolvidas pelo PEAC junto às comunidades costeiras. 
Membros do PEAC participam de espaços de discussões no ENG | Em pé, da esquerda para direita, quarta pessoa: Eraldo Ramos Filho; Sétima pessoa: Augusto Cruz. Abaixadas, da esquerda para direita, segunda pessoa: Jussara Rego; quarta pessoa: Mariana Lima | Foto: divulgação

Outra pesquisa apresentada por pesquisadores do Conselho Gestor foi o trabalho intitulado "Compensação Ambiental, Comunidades Costeiras e Educação Ambiental Crítica: Reflexões a partir das experiências do PEAC em Sergipe e da região norte da Bahia", de Danuza Farias e Fillipe Marques. No trabalho, os pesquisadores se dedicaram a refletir sobre o papel da educação ambiental crítica no contexto das medidas de compensação ambiental. 

Os impactos sociais e territoriais decorrentes da implantação de empreendimentos vinculados à chamada transição energética, também foram temas do trabalho "Em nome de um futuro que nunca chega: transição energética e expropriação territorial em Sergipe", do pesquisador e Dr. Guilherme Whitacker. A pesquisa evidencia processos de expropriação de comunidades tradicionais de Sergipe. 

Já a pesquisa "Derramamento de óleo em 2019: violações de direitos humanos e conflitualidade nos territórios de Povos e Comunidades Tradicionais", de Bruno Bastos, apresentou uma análise sobre os impactos do maior desastre ambiental da costa brasileira. O estudo demonstrou como a ausência de reparação adequada intensificou conflitos territoriais em comunidades tradicionais de Sergipe e Bahia. O trabalho é resultado da pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Sergipe (PPGEO/UFS).


Membros do PEAC participam de espaços de discussões no ENG | Em pé, da esquerda para direita, quarta pessoa: Jorge Edson; Abaixadas, da esquerda para direita, segunda pessoa: Danuza Farias | Foto: divulgação

Os desafios enfrentados pela pesca artesanal urbana também estiveram presentes na programação. O pesquisador do Observatório Social dos Royalties (OSR) e Dr. Jorge Edson Santos, apresentou o trabalho "Portos de pesca artesanal ribeirinha em Aracaju: conflitos territoriais, precariedade urbana e resistência comunitária", que analisou os portos de pesca como territórios fundamentais para a reprodução dos modos de vida tradicionais. A pesquisa evidenciou como a especulação imobiliária, a expansão urbana e a ausência de políticas públicas ameaçam esses espaços, ao passo que destaca as estratégias de resistência construídas pelas comunidades pesqueiras.


Ao centro, pesquisador Jorge Edson coordenada atividade de discussão | Foto: divulgação

A programação contou ainda com a apresentação da pesquisa "Terra, Terreiro e a luta pela vida", da pesquisadora do projeto Compartilhar Mariana Santos Lima. A pesquisa discutiu a relação entre a luta pela terra e a reprodução dos terreiros de matriz africana em Sergipe. O estudo evidenciou a defesa dos territórios tradicionais como a defesa da existência, da cultura e das formas próprias de organização dessas comunidades. 

Para o professor Eraldo Ramos Filho, coordenador geral do PEAC, a participação da Comitiva do Programa no XXI ENG, reafirma o compromisso com a produção de conhecimento crítico comprometido com os territórios tradicionais.

“O Encontro Nacional de Geógrafas e Geógrafos representa um dos mais importantes espaços de debate da Geografia brasileira. Compartilhar as pesquisas produzidas a partir da atuação do PEAC significa fortalecer o diálogo entre universidade, movimentos sociais e comunidades tradicionais, reafirmando a ciência engajada como instrumento de defesa dos territórios, dos modos de vida e da justiça socioambiental”, explica. 

A realização do PEAC é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal, conduzido pelo IBAMA.

 

Programa Peac

O Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) incentiva o fortalecimento dos Territórios de vida dos Povos e Comunidades Tradicionais. A realização do PEAC é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama.