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XI Encontro do PEAC reúne comunidades tradicionais do litoral sergipano e norte do litoral baiano

7 de junho de 2019

Evento tem como mote a defesa dos territórios de vida e o fortalecimento dos povos e comunidades tradicionais e acontece entre os dias 6 e 9 de junho em Aracaju

Abertura do XI Encontro do PEAC

Abertura do XI Encontro do PEAC

Na noite desta quinta, 6 de junho, cerca de 98 representantes de 68 comunidades costeiras do litoral sergipano e parte do litoral baiano se reuniram na Orla de Atalaia, em Aracaju, para o XI Encontro do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (EPEAC). A defesa dos territórios dos povos e comunidades tradicionais é o lema orientador dos diálogos e das ações que serão realizadas até o domingo, 9 de junho.

A pluralidade de representações deu o tom da Mesa de Abertura do evento, a partir da presença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Petrobras, Movimento das Marisqueiras de Sergipe (MMS) e do Conselho Gestor do PEAC. Além destes, também estiveram presentes na plenária representações de movimentos feministas urbanos e rurais, movimentos quilombolas, de povos de terreiros, pequenos agricultores e pequenas agricultoras, camponeses e camponesas, assentados e assentadas da reforma agrária, entre outros que têm sua atuação a partir de identidades territoriais que expressam a produção cotidiana da vida.

Histórias

Presente em todas as edições já realizadas do encontro do PEAC, a consultora do Ibama, Cecília Barbosa, abriu a mesa celebrando a oportunidade de mais uma vez conseguir reunir representações de povos e comunidades tradicionais para dialogar sobre os conflitos e as potencialidades dos territórios.

Em sequência: Cecília Barbosa, Djalma e Nice durante a mesa de abertura

Em sequência: Cecília Barbosa, Djalma e Nice durante a mesa de abertura

“O PEAC tem muita história para contar e essas histórias emergem na oportunidade dos encontros. O projeto já é realizado há bastante tempo e podemos destacar imensos ganhos para as comunidades. É nesses momentos que sentimos que vamos conseguir ser resistência e ser construção para o que a gente precisa nesse país”, destacou a consultora do Ibama.

Autonomia

Conselheiro do Conselho Gestor há 10 anos, o pescador Djalma José, do povoado Massadiço, em Estância, fez um breve histórico do encontro do PEAC, ressaltando a sua importância para o fortalecimento das comunidades costeiras. “Dez anos se passaram e parece que foi ontem. Com muitos altos e baixos, conquistas, ansiedades e angústias, vencemos grandes obstáculos e estamos muitos passos à frente em virtude do que éramos quando o programa se iniciou”, afirmou o representante do município de Estância.

Em nome do Movimento das Marisqueiras de Sergipe (MMS) e de todos os outros movimentos sociais presentes no evento, Geonísia Vieira, mais conhecida como “Nice”, representante do povoado Muculanduba, em Estância, destacou a importância da organização coletiva para a defesa dos territórios. “Através do movimento eu cresci e passei a ter autonomia. É andando em coletivo que a gente aprende a seguir caminhos. Foi através do movimento que pude conhecer o que era união, o que significava ser família sem ser minha família de sangue. E é por isso que eu estou aqui compartilhando esse encontro com tanta gente de tantos lugares”, falou Nice.

Territórios de vida

Elienaide, representante do Conselho Gestor do PEAC durante a mística

Elienaide, representante do Conselho Gestor do PEAC durante a mística

Em sua fala, o coordenador geral do PEAC, Eraldo Ramos Filho, destacou a importância da consciência crítica quanto ao modelo de sustentabilidade que permeia o cenário socioeconômico e político no Brasil. “No dia 5 de junho, a mídia costuma celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente divulgando várias ações de proteção à natureza que na maioria das vezes retratam atividades isoladas de limpeza ambiental que são muito importantes. No entanto, em nada altera a verdadeira degradação da natureza, que é resultante da ganância por obtenção de lucro, privado e sem limites”, destacou o coordenador geral do PEAC.

Fala de Eraldo Ramos durante a mesa de abertura

Fala de Eraldo Ramos durante a mesa de abertura

“Não podemos nos esquecer que as grandes tragédias ambientais são efeitos do modelo de expansão capitalista e que está em curso no campo brasileiro e em toda a América Latina um genocídio contra os povos e comunidades tradicionais e suas lideranças. Destruir a legislação do licenciamento ambiental está articulado com uma tentativa de acabar com os direitos territoriais dos povos indígenas, quilombolas, dos pescadores e das pescadoras, das mulheres marisqueiras, entre outros”, complementou Eraldo.

Diante das questões colocadas pela composição da mesa, o gerente de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS), Waldir Porto, agradeceu a presença de todos e todas e ressaltou a importância do Ibama enquanto instituto responsável pela proteção ambiental no Brasil. “A Petrobras acredita imensamente no PEAC e ressalta que só é possível executar programas importantes como esse por conta dos esforços do Ibama em mantê-los de pé”, afirmou Waldir.

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Representantes das comunidades reunidos na mesa de abertura

Representantes das comunidades reunidos na mesa de abertura

A defesa dos territórios de vida e o fortalecimento dos povos e comunidades tradicionais traz à equipe do PEAC o desafio de construir um processo formativo que aborde as questões ambientais, os impactos do neoliberalismo e como esses impactos se refletem diretamente na vida dos povos e comunidades tradicionais.

Com abrangência em 95 comunidades tradicionais de toda a costa sergipana – espacializadas em dez municípios – e de Conde e Jandaíra, na Bahia, a realização do PEAC é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal, conduzido pelo IBAMA. Atualmente, o PEAC é executado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) com convênio administrado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de Sergipe (Fapese/UFS).

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