PEAC

Região Sul encerra rádios-feiras sobre a campanha de regularização dos territórios pesqueiros

8 de junho de 2017

No sábado, dia 13 de maio, foi a vez da região Sul receber a rádio-feira do Conselho Gestor sobre a Campanha de Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras. Logo cedo, por volta das 8 horas da manhã, conselheiros titulares e suplentes, delegados e equipe técnica do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) já se encontravam na feira livre de Conde-BA para dialogar com os feirantes e consumidores e coletar assinaturas para o abaixo assinado da campanha nacional em prol da regularização dos territórios das comunidades tradicionais pesqueiras..

Com os microfones nas mãos e conteúdo na ponta da língua, os conselheiros José Carlos Nascimento e Osvaldo Francisco Gomes conduziram a locução da rádio que foi de 9 horas ao meio dia. Também participaram do evento, Arlene Costa e Ana Ruty, mulheres da Comissão Articuladora do Movimento das Marisqueiras de Sergipe.

O dia foi de intensos diálogos e argumentações. Enquanto os locutores ficavam na rádio, estrategicamente posicionada na seção de peixaria da feira, os(as) demais comunitários(as) circulavam de barraca em barraca distribuindo o guia de bolso para denúncias de crimes ambientais e os fanzines produzidos por eles em uma oficina de educomunicação, coletando assinaturas e, principalmente, sensibilizando consumidores e feirantes sobre a luta dos pescadores em defesa de seu território.

“Já imaginou chegar na feira e não encontrar mais nenhum peixe fresquinho?”, indagou José Carlos para chamar atenção para a temática. “Sou filha de pescador, sou marisqueira e tenho filha marisqueira. Nós estamos aqui com o PEAC na luta pelo território pesqueiro para nos proteger do que está acontecendo nos manguezais”, se manifestou Ana Ruty.

“Estão se apropriando dessas áreas [beira de rio e de mangue] para fazer coisas alheias à gente. No caso, condomínios, parques aquáticos… Estão tirando do meio ambiente para enriquecer só um, quando na verdade todos nós precisamos dessa área para trabalhar, para tirar nosso sustento”, enfatizou Osvaldo.

Edson Conceição é pescador e ao ouvir as falas se identificou e não deixou de assinar. “É verdade isso aí mesmo, já aconteceu comigo quando um fazendeiro tomou o terreno e não deixou a gente pescar mais lá. Eu queria continuar, mas se eu continuasse ele ia cortar meus corvos e as redes que eu colocasse”, contou.

Todos voltaram para casa com a sensação de dever cumprido, pelo menos por aquele dia, pois levaram o abaixo assinado para coletar assinaturas em suas comunidades e seguiram com o desafio de conscientizar mais pessoas para o enfrentamento em defesa do território pesqueiro. “Repórter PEAC na rádio-feira de Conde se despedindo aqui de todos vocês. Muito obrigado!”, encerrou José Carlos.

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