PEAC

Movimento das Marisqueiras de Sergipe continuam com reuniões eletivas nas comunidades

19 de maio de 2017
Movimento das Marisqueiras de Sergipe reúne mulheres para eleger coordenações locais.

Movimento das Marisqueiras de Sergipe reúne mulheres para eleger coordenações locais.

Dando continuidade ao processo eleitoral do Movimento das Marisqueiras de Sergipe (MMS), as comunidades do Mosqueiro e Areia Branca em Aracaju, no dia 27 de março, de Apicum e Rita Cacete, São Cristóvão, no dia 1 de abril, escolheram suas representantes para somar o movimento. O MMS faz parte do Projeto de Fortalecimento Sócio-Político das Marisqueiras de Sergipe, desenvolvido no âmbito do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC).

De marisqueira para marisqueira, a conversa antes da eleição gira em torno dos desafios da atividade pesqueira para as mulheres num contexto de falha na obtenção de direitos, como o seguro-defeso, que muitas apontam não receber há meses; de privatização dos mangues, o que compromete o meio ambiente e a obtenção de mariscos; e de saúde, uma vez que a atividade produtiva causa doenças na maioria das vezes negligenciadas pelos setores médicos e da previdência.

O primeiro passo dado pelas mulheres da Comissão Articuladora do MMS é a tentativa de sensibilização das companheiras de profissão a se somarem ao Movimento através de uma encenação baseada no Teatro do Oprimido. Inspiradas na realidade em que vivem e nas especificidades que percebem nas comunidades onde chegam, elas improvisam um diálogo que traduz a luta das marisqueiras de Sergipe: a construção de um empreendimento cerca o mangue e as deixa sem trabalhar, até que elas se organizam para o enfrentamento político.

Na sequência da reunião, também faz parte da programação a exibição do vídeo “Organização política das marisqueiras”, produzido pela equipe de comunicação do PEAC com a narração da trajetória do movimento e depoimentos das marisqueiras que participam.

Juntas, estas mulheres guerreiras percebem que só a união de gênero e de classe pode dar conta de enfrentar os cortes trabalhistas  em busca de autonomia, inclusive das colônias de pescadores, como motiva Valquíria Pinto dos Santos. “Não é fácil. Se pensar cada uma por si e Deus por todos nós não vai para frente. A gente tem que se unir. Tem luta, tem. Tem maravilhas, tem. Eu entendi que o movimento era importante e hoje eu já sei como chegar na Previdência Social e lutar pelo meu direito”.

Até agora, também já possuem representantes definidas as comunidades de Pirambu e Carapitanga. As outras dez comunidades abrangidas pelo Projeto receberão reuniões eletivas nas próximas semanas.

Mosqueiro e Areia Branca

Cinco das seis candidatas à coordenação local do MMS no povoado Mosqueiro.

Cinco das seis candidatas à coordenação local do MMS no povoado Mosqueiro.

As eleições das duas comunidades aconteceram no mesmo dia, no povoado Mosqueiro, quando reuniram cerca de cinquenta mulheres. Das quatro candidatas de Areia Branca, foram eleitas Joseildes Borges dos Santos, conhecida como Mãezinha, e Luísa Marcelina da Silva. Já no Mosqueiro, dentre as seis candidatas, as eleitas foram Adriana, membro da Comissão Articuladora, e Graziela dos Passos.

Esta é a primeira vez que Mãezinha assume uma liderança comunitária, mas o faz com bastante empolgação e comprometimento. “Me candidatei para melhorar as coisas. Espero conhecer mais, aprender mais e ensinar a quem não sabe”, conta.

Graziela já foi representante da comunidade durante três anos e agora assume o desafio de retornar à liderança porque acha que “essa luta tem um fundamento”.  “Hoje em dia pra gente vender um marisco tem que passar pelo atravessador, que vende pelo valor que quer. Não reconhece a nossa luta dentro do mangue, não reconhece gente sair de madrugada, sujeitas a se cortar, e na colônia dizem que a gente não tem direito a nada. Eu quero saber ao que a gente tem direito”, explica.

Apicum e Rita Cacete

 Já em Rita Cacete a reunião aconteceu no Bar do Bão. Aproximadamente 40 mulheres das comunidades de Apicum e Rita Cacete se reuniram para eleger suas representantes. Para motivar as presentes Valquíria contou a sua história: “Sou mãe de filho especial e mais cinco, sou marisqueira, sou artesã, sou dona de casa e sou esposa, estou no movimento das Marisqueiras por amor, essa luta me motiva a dar conta disso tudo porque sei que assim como eu pensava, muitas mulheres pensam que é difícil, que não vão dar conta, mas a realidade é que a gente dá conta sim, porque essa luta é nossa e nosso amor faz é multiplicar”, afirma.

Dentre as três candidatas de Apicum foram eleitas Neide dos Santos e Lucicleide da Conceição. De Rita Cacete foram eleitas Edna Fontes Ribeiro Pereira e Joelma Santos Araújo.

Bem feliz e empolgada, após sua eleição, Edna falou sobre a responsabilidade que está assumindo de agora em diante. “Eu estou muito feliz em representar a minha comunidade nesse movimento de mulheres feito pelas mulheres, mas também tenho bastante consciência da minha responsabilidade em representar tantas mulheres marisqueiras de Rita Cacete”, fala.

Neide dos Santos nunca participou de movimentos sociais, mas as presentes votaram com muita expressividade para que ela assumisse a coordenação local de Apicum. “Eu vou ajudar minhas colegas do mangue, vou me informar muito para orientar as minhas amigas a procurarem seus direitos. Eu tenho esperança de que a gente pode sim mudar a nossa realidade para melhor a partir das nossas ações”, afirma com empolgação.

De maneira a estabelecer a integração das recém-eleitas no Movimento, a partir das reuniões nas próprias comunidades elas passam a atuar nas reuniões seguintes, como foi o caso das representantes de Pirambu e Carapitanga, que estiveram presentes na reunião de Apicum e Rita Cacete.

Pontal e Bairro Industrial

Em Pontal, município de Indiaroba, região sul, a reunião eletiva aconteceu no dia 27 de abril. Sete mulheres se candidataram, mas Rosalva Tavares dos Santos Santana e Alexandra dos Passos foram eleitas como coordenadora e suplente respectivamente.

Já no Bairro Industrial, em Aracaju, a reunião eletiva aconteceu no dia 2 de maio e Gilsa Maria Santos foi eleita, tendo Ana Maria Santos Silva como suplente.

 

 

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