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I Feira dos Povos e Comunidades Tradicionais do PEAC compartilha riquezas culturais e gastronômicas

2 de maio de 2018
A mestra de samba de coco Madá canta com a banda Pífano de Pife

A mestra de samba de coco Madá canta com a banda Pífano de Pife

Foi de repente que a zabumba e as solas dos pés passaram a ser conduzidas por uma voz vivida puxando um samba de coco. Era Dona Madalena, conhecida como Madá, mestra do samba de coco do povoado Ilha Grande, município de São Cristóvão/SE, que subia ao palco do Casco Acústico Tamar, no Oceanário de Aracaju, durante a I Feira dos Povos e Comunidades Tradicionais.

Realizada pelo Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) nos dias 6 e 7 de abril, a Feira reuniu as riquezas culturais e gastronômicas produzidas pelos povos do litoral, de maneira artesanal e coletiva, representando seu modo próprio de vida. Do cheiro da mariscada às belezas dos artesanatos de palha, todos os sentidos humanos foram convidados a apreciar os sabores e saberes tradicionais.

Cerca de 30 pessoas, de 20 comunidades, expuseram e comercializaram artesanato em formato de biojóias, bolsas, acessórios, além de gêneros alimentícios diversificados para o público de aracajuanos e turistas. “Olha o caldinho de sururu da Nice!”, atraía assim o público uma das militantes do Movimento das Marisqueiras de Sergipe (MMS) para a delícia que acabara de sair do fogo.

Com uma programação rica em samba de coco, forró, música afrobrasileira e exposição-performance, o calor dos povos reunidos aumentou a vibração e transcendeu a noite com apresentações inesperadas como o coco de Dona Madalena, o samba de Dona Didi, do Bairro Industrial de Aracaju, e a aula show de capoeira de Wagner, da sede de Barra dos Coqueiros, sob o grito: “Capoeira é resistência”, como quem demarca o território cultural.

Povos comunidades tradicionais

Os povos e comunidades tradicionais são assim reconhecidos por serem culturalmente diferenciados do restante da sociedade. Esses grupos vivem, produzem e se relacionam de maneira própria, marcada pelos trabalhos coletivos e pela relação ancestral com o território e os recursos naturais.

De acordo com a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais no art. 3° do Decreto n.° 6.040, de de 7 de fevereiro de 2007, Povos e Comunidades Tradicionais são “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”.

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