PEAC

Educação ambiental crítica no licenciamento é tema de GT do Conselho Gestor

7 de junho de 2017

Dando continuidade à discussão iniciada no dia 20 de abril sobre os novos rumos do Conselho Gestor e os desafios para organização comunitária, os conselheiros do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) se reuniram em um novo Grupo de Trabalho (GT) no dia 11 de maio, na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Com bastante propriedade sobre as dificuldades enfrentadas no processo de mobilização das bases comunitárias, os conselheiros partilharam suas perspectivas para superá-las. “Para além do Conselho, temos que trabalhar o fortalecimento comunitário lá fora e fazer o intercâmbio entre as comunidades”, expôs Adilma Santos, conselheira do município de Aracaju .
Outro entendimento partilhado pelos comunitários foi que o Conselho Gestor não existe apenas para o acompanhamento das compensações. Pelo contrário, existe sobretudo para prepara-los para o enfrentamento diante dos conflitos sócio- ambientais vivenciados. “Devemos pensar para além das compensações”, afirmou Maria Elizabete Santos, conselheira da região Sul.
Foi nesse sentido que a atividade caminhou para discussões produtivas a respeito da educação ambiental crítica no licenciamento e outros conceitos relacionados, como gestão ambiental pública e os grupos vulneráveis que formam o público-alvo das ações de educação no licenciamento ambiental federal, ou seja, as comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, camponeses).
Na parte da manhã, os presentes assistiram ao documentário “Resina”, uma produção do PEAC que narra o enfrentamento da comunidade quilombola Resina, situada em Brejo Grande-SE, pela demarcação do seu território. Em seguida, divididos em grupos, trabalharam e socializaram seu entendimento sobre os conceitos: “educação ambiental”; “gestão ambiental”; “licenciamento ambiental” e “grupos vulneráveis”.
A junção entre o auto reconhecimento de vivência dos conselheiros em suas realidades e a discussão teórica sobre os temas fizeram com que, ao final do dia, todos tivessem conhecimento mais aprofundado sobre as questões. “A educação ambiental crítica serve para entender e conseguir trabalhar os problemas reais do dia a dia”, pontuou Leandro Sacramento, membro da equipe técnica.
A percepção da realidade fica evidente na fala de Engle França, conselheiro da região Sul, por exemplo, que reforçou o conflito de interesses na instalação de grandes empreendimentos nos arredores das comunidades pesqueiras. “Para a comunidade não está tudo bem construir um empreendimento, mesmo gerando emprego. Mas para quem gere o município está”.
Os conselheiros presentes no GT conduzirão o diálogo sobre o tema durante a 11ª Reunião da 4ª Gestão do Conselho Gestor, a ser realizada nos dias 26 e 27 de maio.

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